Nos últimos meses voltei a correr. Faça chuva ou faça sol, o despertador toca às 4h quando o céu ainda está escuro.

A sensação de superar o despertador é indescritível, já que levantar da cama é uma vitória pessoal diária.

Ainda sonolenta vou tomar uma água, fazer minha higiene pessoal, trocar de roupa enquanto faço minhas orações, respirações e meditações.

Em seguida coloco um café na xícara, ou um energético, e vou bebericando enquanto leio um livro.

Por fim, às 4h50, eu coloco o tênis e desço do meu apartamento para começar a minha corrida.

A minha relação com a corrida é um misto de amor e ódio. Ainda no primeiro quilômetro, eu não sei muito bem porque decidi me submeter a esse sofrimento gratuito da natureza humana.

A partir do primeiro quilômetro surgem os primeiros raios do sol e então a sensação do sangue correndo nas minhas veias me faz lembrar que eu estou viva.

Depois do choque inicial entre corpo e mente, agora vem a parte mais importante da corrida: definir o meu ritmo!

Caminhada ou corrida

O aplicativo que marca o meu ritmo na corrida me pergunta: “Você vai correr ou vai caminhar?”.

Lógico que vou correr (risos)! Mas, a quem estou enganando?

Imagine que a sua vida é uma grande jornada, então eu te pergunto: “Você está correndo ou está caminhando?”.

Talvez você até responda que está parado/a, ou até mesmo andando de ré.

Calma, jovem! Vamos entender melhor o que significa definir o seu ritmo.

Tanto na corrida, como na vida, dependendo do seu condicionamento e da distância a ser percorrida, é provável que você precise de algumas pausas. Não dá para correr o tempo todo.

No meu caso que estou retomando a corrida matinal, eu não consigo manter um ritmo acelerado o percurso inteiro. Às vezes eu caminho, às vezes eu troto (corrida com um ritmo mais leve), às vezes eu dou um tiro (corrida com um ritmo mais intenso).

O ritmo é o resultado de batalha entre o meu corpo e a minha mente. Mas, não me importa o resultado, contanto que eu aproveite a jornada.

Ando devagar porque já tive pressa

Na grande jornada que é a sua vida, você vai passar por diversos ciclos de evolução pessoal. Aqui no Bora Simplificar usamos como referência a Teoria dos Setênios, do filósofo Rudolff Steiner.

A teoria dos Setênios faz parte da Antroposofia, filosofia criada por Rudolff Steiner que também fundador da Pedagogia Waldorf. (…) A teoria dos setênios foi criada a partir da observação dos ritmos da natureza e da própria natureza no sentido da vida. Segundo a teoria, a vida é dividida em fases de sete anos, onde podemos compreender com mais facilidade a condição cíclica da vida humana. Em cada uma das fases somamos mais conhecimentos para nossas vidas e buscamos novos desafios.

https://blog.waldorfonline.com.br/2020/11/05/os-ciclos-da-vida-conheca-a-teoria-dos-setenios/

A própria natureza já dita um ritmo a nossa própria existência. Não é possível andar antes de aprender a engatinhar.

E não adianta acelerar as coisas, pois tudo tem seu tempo e cada um tem o seu ritmo. O meu ritmo difere do seu. No máximo podemos identificar um padrão, mas nada, além disso.

Mas Lígia, o que isso quer dizer?

Quer dizer que a jornada é sua. Não se compare a jornada de ninguém, pois é provável que as expectativas geradas possam ser frustradas.

Cada ser humano é único e cada um tem o seu momento de despertar.

Em alguns momentos da vida vai ser preciso “dar uns tiros” para poder ganhar resistência. Já em outros momentos você vai querer desacelerar.

Compreender isso vai ajudar você a ser mais feliz, reduzindo drasticamente o sentimento de frustração ao longo do caminho.

Via Giphy

A vida não é uma linha reta

Dentre outros fatores, o ritmo de uma corrida é definido pelos altos e baixos. A vida também é assim.

Manter a consistência é onde reside o verdadeiro segredo.

Cansou?! Não pare!

Diminua o ritmo, beba uma água, recarregue as energias, sinta a respiração, mas continue em movimento.

A vida não vai parar para você resolver os seus problemas, então sempre haverá altos e baixos. Às vezes mais devagar, às vezes mais rápido, mas sempre em frente.

Sempre estamos evoluindo em algo. Seja no corpo, em sabedoria, em emoções… Estamos sempre evoluindo, cada um no seu próprio ritmo.

O autoconhecimento é a forma assertiva para tornar a sua jornada mais leve. Quando você compreende sua história, sua personalidade, seus comportamentos, seus desejos, seus sonhos, seu corpo… Fica mais simples definir o seu ritmo.

Quando você compreende os seus limites, é possível também definir novos desafios, seja na corrida, ou na vida.

Eis então que você supera obstáculos que pareciam intransponíveis e distantes da sua realidade.

Quando a minha corrida matinal acaba, eu sou tomada por um sentimento de satisfação que faz tudo valer a pena. E eu acredito profundamente que a jornada da sua vida também deva desfrutar desse mesmo sentimento.

Aproveite a jornada, independente do seu ritmo.


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